ABRACAM | Associação Brasileira de Câmbio

ABRACAM oferece entrevista ao Valor Econômico sobre avanço da atuação global das corretoras

Corretoras de câmbio começam a abrir contas diretamente em bancos americanos 

Fonte: Jornal Valor Econômico, de 24/1/23 

Esse era um pleito antigo do setor, já que no modelo anterior sempre que realizavam uma transferência para o exterior, as corretoras precisavam antes passar por um banco brasileiro. Mais de três anos depois de o Banco Central regulamentar a lei 12.865, as corretoras de câmbio estão começando a abrir uma conta corrente em moeda estrangeira (CCME), diretamente com bancos americanos. Esse era um pleito antigo do setor, já que no modelo anterior sempre que realizavam uma transferência para o exterior, as corretoras
precisavam antes passar por um banco brasileiro – esses já tinham a possibilidade de ter
uma CCME.

Entre as primeiras corretoras a conseguir uma CCME está a B&T Câmbio. Depois de um
“due dilligence” rigoroso, a B&T, que transacionou R$ 7,7 bilhões no ano passado, abriu sua
conta em parceria com o BNY Mellon e agora poderá oferecer serviços mais ágeis e menos custosos para pessoas e empresas que queiram movimentar valores “cross-border”. Em
uma estimativa da corretora, ao longo do ano passado teriam sido eliminados R$ 7,1
milhões em spreads bancários para os clientes, por exemplo.

A Treviso também abriu uma conta com o BNY Mellon. Para o CEO, Wilson Nagem, a
parceria oferece aos clientes da corretora uma série de benefícios, incluindo uma
experiência mais eficiente, transparente e custos mais competitivos em transferências
internacionais. “Isso proporciona acesso direto a serviços bancários globais e maior
flexibilidade em transações internacionais”.

Kelly Massaro, presidente-executiva da Associação Brasileira de Câmbio (Abracam), afirma
que a demora de quase três anos para que as primeiras associadas conseguissem abrir a
CCME se deveu a questões como a complexidade dos processos de compliance,
documentação e due diligence, com os bancos americanos sendo bastante rigorosos para
operar com corretoras de câmbio brasileiro, já que esse formato nem existe por lá.
De 45 corretoras ativas no Brasil, além de B&T e Treviso, outras três já estariam em processo
muito avançado para abrir a CCME. Ou seja, somando quase 10% do total. Como há custos
de abertura e manutenção, nem todas as corretoras terão esse tipo de conta. A Abracam
estima que cerca de 45% delas poderão optar por esse caminho. “Agora que a trajetória
toda já está mapeada, acredito que os próximos serão mais rápidos”, explica Massaro.

Com uma CCME, as corretoras poderão oferecer aos clientes pessoa física as contas globais
(em dólar), que já são bastante exploradas pelos bancos. “Até então, algumas corretoras
ofereciam conta global, mas para isso tinham de passar por um banco local, e assim ele
oferecia o cartão, e a corretora acabava perdendo toda a questão de fidelização do cliente”,
conta a presidente da Abracam. Além desse serviço para PF, a CCME também deve trazer
ganhos para a parte de comércio exterior (importação/exportação) e remessas. “Vai haver
uma redução de custos para a corretora e, em um ambiente competitivo, ela vai ter de levar
isso para o consumidor final”.

Até mesmo para facilitar a obtenção da CCME, a Abracam está promovendo uma
“internacionalização” do seu selo de conformidade, que em uma de suas seções incluirá os
padrões Wolfsberg. Desde o lançamento, a entidade já concedeu mais de 1 mil selos, para
bancos de câmbio, corretoras e correspondentes cambiais. Agora, está lançando a Série
4000, para instituições de pagamento reguladas, e a Séria 4100, para não reguladas.

Concomitantemente, a Abracam trabalha na certificação dos profissionais, que apesar de ser um dos critérios observados no selo de conformidade, não é algo obrigatório. No caso do câmbio, existem duas modalidades, a ABT1, para colaboradores em geral, e ABT2, para gestores, estima-se que existem mais de 30 mil profissionais no setor. Segundo Massaro, no primeiro levantamento feito pela entidade, menos de 2 mil profissionais tinham a certificação, e após a adoção do selo esse número já subiu para mais de 10 mil.

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