Aliciamento Corporativo: Como Identificar e Prevenir Fraudes Internas
A palestra conduzida por Pablo Colombres, CEO da GIF International, nesta terça-feira (28) na sede da ABRACAM, abordou um tema sensível e recorrente no ambiente corporativo, o aumento de fraudes internas, crimes cibernéticos e o aliciamento de funcionários. Embora não seja um assunto novo, ele tem ganhado cada vez mais visibilidade nos últimos anos.
Segundo o Relatório Integrado de 2025 do Banco Central, os incidentes cibernéticos no Sistema Financeiro Nacional cresceram 29% em relação a 2024. Parte desses ataques inclui o aliciamento de colaboradores com acesso a informações sensíveis, além de outras práticas como engenharia social e uso indevido de credenciais.
O que é o aliciamento e como ele acontece?
O aliciamento pode ser entendido como o ato de atrair ou cooptar um colaborador para ações ilícitas dentro de uma organização. É uma prática que vai além de setores específicos, ocorre em instituições financeiras, empresas de logística, comércio, câmbio e até em órgãos públicos.
“Qualquer segmento e instituição podem ser vítimas desse crime”, disse Pablo.
Dentro das instituições, o aliciamento costuma acontecer por meio de abordagens feitas pelos criminosos, que entram em contato com o indivíduo pelas redes sociais, por ligações ou até pessoalmente. O objetivo é recrutar o colaborador para ser a peça principal do crime, aproveitando o acesso que ele tem a informações sigilosas da instituição.
Quais são os tipos de aliciamento?
Durante a apresentação, foram destacados quatro tipos principais. O primeiro é o suborno ou corrupção, em que o colaborador fornece informações em troca de vantagem financeira. O segundo é a coerção e ameaça, quando a pessoa é pressionada a agir sob risco de vida ou violência. O terceiro é o recrutamento de cúmplices, em que alguém já envolvido passa a aliciar outros colegas, sem se expor diretamente. E, por último, a chantagem, quando informações pessoais ou comportamentos são usados como forma de controle.
A palestra também trouxe como base teórica o “triângulo da fraude” ,segundo essa teoria, três fatores precisam coexistir para que uma fraude aconteça:pressão (financeira, pessoal ou profissional), racionalização (as justificativas internas do indivíduo) e oportunidade (falhas ou brechas nos controles da organização).
Como os colaboradores se envolvem nesse crime? E quais são as atitudes suspeitas?
Existem três formas de fraude praticadas dentro das empresas, sendo elas: os premeditados, quando o colaborador entra na empresa já fazendo parte de uma quadrilha, com o objetivo de acessar informações privilegiadas para cometer fraudes, como desvio de mercadorias ou facilitar a entrada de pessoas não autorizadas; a espionagem, quando profissionais se infiltram em organizações para roubar informações confidenciais; e o aliciamento, quando o colaborador não entra na instituição com intenção ilícita, mas aceita a abordagem dos criminosos em troca de benefício próprio.
Estudos da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE), apontam que 75% dos indivíduos envolvidos nesse tipo de crime apresentam atitudes suspeitas, como: viver além de seus recursos financeiros, relacionamento muito próximo com fornecedores ou clientes, resistência em compartilhar responsabilidades, irritabilidade e desconfiança.
Como empresas e funcionários devem agir para se prevenir?
O combate ao aliciamento exige uma abordagem estruturada. Entre as principais medidas estão o fortalecimento da cultura ética, treinamentos contínuos de conscientização, implementação de controles tecnológicos, monitoramento de acessos e criação de canais seguros para denúncias. Além disso, é fundamental que as organizações estejam preparadas para responder rapidamente a incidentes, preservando evidências e acionando as autoridades competentes.
Colombres também reforçou que, ao perceber atitudes suspeitas, o colaborador deve procurar seu gestor ou diretor e relatar o que está acontecendo, deixando claro que não faz parte daquela prática. Mediante a isso, a empresa, por sua vez, deve acionar as autoridades para prevenir o crime.
Para obter o material disponibilizado pelo palestrante, clique aqui.


