Compliance, câmbio e criptoativos pautam debates do Compliance & Business Day
A 9ª edição do Compliance & Business Day, promovida pela ABRACAM, evidenciou a centralidade do compliance na agenda do sistema financeiro, em um contexto de crescente digitalização, avanço dos ativos virtuais e intensificação da regulação. O evento reuniu reguladores, instituições financeiras e autoridades para discutir desafios estruturais e caminhos para maior integração entre setor público e privado.
A presidente da ABRACAM, Kelly Massaro, destacou o fortalecimento institucional da entidade e a ampliação do diálogo com órgãos como Banco Central, Polícia Federal e Secretaria Nacional de Justiça. Entre os avanços, ressaltou o Selo de Conformidade em PLD/FTP como instrumento de autorregulação e padronização de práticas.
Governança, Compliance e Autorregulação
Kelly Gallego Massaro - Presidente Executiva da ABARACAM
Izabela Correa - Diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta -
Banco Central do Brasil
O eixo central do evento reforçou o papel transversal do compliance, com ênfase na cooperação entre instituições. A agenda inclui iniciativas de autorregulação, como o selo de conformidade, e o fortalecimento da governança em resposta à crescente complexidade normativa.
Gerson Romantini - Chefe de Divisão no Banco Central do Brasil
Regulação de Câmbio e Criptoativos
Especialistas apontaram que o Brasil vive um ciclo contínuo de ajustes regulatórios, impulsionado pela evolução dos criptoativos e das stablecoins.
A coexistência entre modelos regulados e não regulados ainda gera insegurança jurídica e limita ganhos de eficiência, ao mesmo tempo em que aumenta a responsabilidade das instituições financeiras na intermediação.
A expectativa é de maior formalização e supervisão do mercado, com regras mais claras para novos entrantes e operações digitais.
Esquerda para direita : Lia Susin (Nium) - Marcela Pinori (Visa) - Mathias Fisher (NOMAD) - Nicolas Alonso (Bitso) // Alessandra Raspanti (CAMS) - Gerson Romantini (BCB) - Marcos Cavagnoli (Bradesco)
Combate a Crimes Financeiros e Ativos Virtuais
A Polícia Federal destacou a crescente relevância dos criptoativos em investigações, classificando-os como vetor recorrente em fraudes financeiras.
A criação de estruturas especializadas em crimes cibernéticos e iniciativas como o Projeto Tentáculos evidenciam a necessidade de atuação coordenada entre entidades públicas e privadas.
Dr. Ricardo Saadi COAF
Dr. Otavio Margonari Russo - Polícia Federal
Inteligência Financeira e COAF
O COAF reforçou seu papel estratégico como unidade de inteligência, essencial para rastreamento de fluxos financeiros ilícitos.
Apesar dos avanços, o órgão enfrenta limitações operacionais, como equipe reduzida e desafios tecnológicos. A parceria com o setor privado para modernização de sistemas surge como alternativa para ampliar eficiência e padronizar comunicações.
O evento consolidou a percepção de que o futuro do sistema financeiro brasileiro dependerá da capacidade de equilibrar inovação e regulação, com maior integração institucional, uso intensivo de tecnologia e fortalecimento de mecanismos de governança.


