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Stablecoins aceleram transformação do cross-border no Brasil

Durante anos, o sistema de pagamentos internacionais operou sob transferências complexas, múltiplos intermediários, liquidação em horários limitados e juros flutuantes. Hoje, as stablecoins chegaram ao mercado para mostrar que é possível fazer diferente. Elas estão emergindo como uma nova infraestrutura de liquidação internacional, permitindo que empresas e qualquer pessoa movimentem dólares digitais em tempo real e com taxas menores.

Antes, para comprar e enviar dólares, era necessário passar por um processo burocrático: enviar documentação para o banco ou para correspondente cambial, em horário comercial e em dias úteis. As taxas eram voláteis e o dinheiro demorava de um a três dias para chegar ao destino.

Como é feito o envio e a compra de dólar atualmente?

Na palestra realizada hoje na ABRACAM, ministrada pela Foxbit, Isac abordou o tema de como as stablecoins estão redefinindo o cross-border brasileiro e compartilhou com o público suas perspectivas sobre esse mercado, ressaltando que o processo está cada vez mais fácil e acessível graças ao avanço da tecnologia e das stablecoins.

Isac reforça que hoje temos aplicativos nas corretoras ou em carteiras digitais onde o serviço é seguro, disponível 24/7, sem distinção de estado, localidade, cor ou idade, qualquer pessoa pode aderir. O spread é mínimo, não há IOF em transações cripto-cripto, o envio é global, feito em segundos por centavos e chega ao destino em qualquer lugar do mundo.

“Hoje o dinheiro é totalmente digital. Essa é a experiência que o mercado está entregando hoje”, disse Isac.

Aylton Gonçalves – GMS Perspectivas | Imagem: ABRACAM

Como começou o mercado de stablecoins?

Esse mercado nasceu em 2014 com a Tether, que entendeu o sistema e teve a ideia de depositar um dólar no banco e emitir um token na blockchain representando esse valor. O que fizeram, na prática, foi tokenizar a moeda tornando-se a primeira tokenização de Real World Asset (RWA) da história. Foi a partir disso que surgiu a stablecoin.

Tipos de stablecoins

Existem diversos tipos de stablecoins:

  • Lastro em fiat
  • Lastro em commodities
  • Lastro em cripto
  • Algorítmica

Qual o cenário atual do mercado?

Embora essas mudanças tenham começado lá atrás, elas chegaram silenciosamente e foram se espalhando de forma rápida a ponto de hoje, empresas poderem emitir suas próprias moedas. Esse crescimento só tende a continuar. No Brasil, 90% do volume cripto já é stablecoin. O que antes era território de especuladores comprando Bitcoin, agora reflete um comportamento de investidor. Segundo Isac as transações cresceram 200% de 2023 para 2024. O mercado está se adaptando às mudanças tecnológicas, e ela veio para ficar.

“Quando as pessoas começam a entender que existe uma tecnologia mais eficiente, mais fácil de usar e mais barata, elas começam a usar”, afirma Isac.

Regulação desse mercado

Durante a palestra, Aylton Gonçalves, da GMS Perspectivas, apresentou aos associados a Lei nº 14.478/2022, regulamentada pelo Banco Central por meio da Resolução BCB nº 520, que define quais instituições podem prestar serviços relacionados a ativos virtuais. Em sua fala, Gonçalves destacou que o regramento atual do Banco Central não permite que instituições participem da cadeia de ativos virtuais sem estarem enquadradas em um dos segmentos previstos: intermediador, custodiante, provedor de liquidez ou formador de mercado. Ele também reforçou a importância da regularização para atuar nesse mercado

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