Nota à Imprensa
A ABRACAM se manifesta sobre a classificação preliminar divulgada pelo USTR, que enquadra como injusto e discriminatório o papel do Banco Central do Brasil como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos Pix, sob o argumento de que essa configuração institucional desfavorece provedores estrangeiros de serviços de pagamento.
Desde seu lançamento, em novembro de 2020, o Pix se consolida como o principal instrumento de inclusão financeira do país. Com praticamente a totalidade das operações realizadas via telefone celular, aparelho já amplamente adotado pelos brasileiros, o sistema integrou ao sistema financeiro formal uma parcela significativa da população historicamente desatendida. No primeiro ano completo de operação, em 2021, o Pix acumulou cerca de 4 bilhões de transações e aproximadamente R$ 2 trilhões movimentados. Ao final de 2025, esses números haviam alcançado patamares estimados em 22 bilhões de transações no último trimestre e volume anual superior a R$ 10 trilhões, expansão que reflete tanto a adoção massiva quanto a ampliação do mercado de pagamentos como um todo.
No que se refere ao argumento de que provedores estrangeiros teriam sido prejudicados, os dados do setor de cartões merecem atenção. Em 2020, o segmento registrou cerca de R$ 2 trilhões movimentados em aproximadamente 23 bilhões de transações. Em 2025, esses números evoluíram para R$ 4,5 trilhões e 48 bilhões de transações, crescimento expressivo e simultâneo ao avanço do Pix.
Os dados, portanto, apontam para uma expansão do mercado total. O Pix incorporou ao sistema financeiro uma base de usuários que anteriormente operava fora dele, criando condições para que essa mesma população acesse, progressivamente, produtos e serviços de crédito e pagamento oferecidos também pelas bandeiras internacionais.
Além do impacto econômico, cabe destacar que a inclusão financeira promove a formalização das transações, o que contribui diretamente para a prevenção a ilícitos financeiros. O barateamento do acesso, a produção de dados e o consequente monitoramento de operações são instrumentos relevantes no combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo.
A Associação reafirma que o Brasil é signatário dos principais acordos internacionais na matéria e tem demonstrado comprometimento contínuo com a adoção e o aprimoramento das melhores práticas de PLD/FTP. Nesse contexto, é certo que a imposição de obstáculos ao comércio internacional gera maior fricção entre os mecanismos de monitoramento e controle de cada país, podendo estimular a migração de transações para canais informais, reduzir a rastreabilidade das operações e fragilizar os sistemas de
pagamentos transfronteiriços.
Por fim, a ABRACAM manifesta seu apoio ao Banco Central do Brasil e reitera seu compromisso com o aprimoramento contínuo do Sistema Financeiro Nacional. A Associação entende que eventuais disparidades devem ser tratadas por vias técnicas, fundamentadas em evidências e em cooperação internacional, com enfrentamento inabalável do crime organizado, em proteção à integridade dosistema financeiro e em benefício da sociedade.
Associação Brasileira de Câmbio – ABRACAM.


